lobo gigante rastejou para trás, com o pelo branco
eriçando-se na parte de trás do pescoço. O guarda, pensou,
deixaram um homem de guarda à minha porta. Fantasma
cheira-o através da porta, é só isso.
Lentamente, Jon pôs-se em pé. Tremia incontrolavelmente,
desejando ainda ter uma espada. Três passos rápidos
levaram-no até junto da porta. Agarrou a maçaneta e puxou
para dentro. O ranger das dobradiças quase o fez saltar.
O guarda estava estatelado nos degraus estreitos, olhando
para cima, parajon. Olhando para cima, embora jazesse de
bruços. A cabeça tinha sido completamente virada ao
contrário.
Não pode ser, disse Jon a si mesmo. Aqui é a Torre do Senhor
Comandante, é guardada dia e noite, isto não pode acontecer,
é um sonho, estou tendo um pesadelo.
Fantasma deslizou para o seu lado. O lobo começou a subir os
degraus, parou e olhou para Jon. Foi então que ouviu os sons;
o suave arrastar de uma bota na pedra, o som de uma
pequena tranca rodando. Os sons vinham de cima. Dos
aposentos do Senhor Comandante.
Aquilo até podia ser um pesadelo, mas não era sonho
nenhum.
A espada do guarda estava em sua bainha. Jon ajoelhou e a
pegou. O peso do aço na mão deu-lhe coragem. Subiu os
degraus, com Fantasma abrindo caminho silenciosamente.
Sombras espreitavam em todas as voltas das escadas. Jon
deslizou com precaução, testando todos os recantos
suspeitosamente escuros com a ponta da espada.
De repente, ouviu o guincho do corvo de Mormont. "Grão",
gritava a ave. "Grão, grão, grão, grão, grão, grão" Fantasma
deu um salto para a frente e Jon seguiu atabalhoadamente
logo atrás. A porta para o aposento privado de Mormont
estava escancarada. O lobo gigante mergulhou através dela.
Jon parou à porta, de espada na mão, dando aos olhos um
momento para se ajustarem. Pesadas cortinas tinham sido
descidas sobre as janelas, e a escuridão era negra como tinta.
- Quem está aí? - Jon gritou.
Então viu: uma sombra nas sombras, deslizando na direção
da porta interior que dava para a cela de dormir de Mormont,
a forma de um homem todo de negro, coberto com um manto
e encapuzado..., mas sob o capuz os olhos brilhavam com um
gelado brilho azul...
Fantasma saltou. Homem e lobo caíram juntos sem um grito
e sem um rosnido, rolando, esmagando-se de encontro a uma
cadeira, fazendo cair uma mesa coberta de papéis. O corvo de
Mormont agitava as asas por cima da cabeça, gritando "Grão,
grão, grão, grão". Jon sentiu-se tão cego como Meistre
Aemon. Mantendo as costas na parede, deslizou em direção à
janela e arrancou a cortina. O luar encheu o aposento. Viu de
relance mãos negras enterradas em pelo branco, dedos escuros
e inchados que se apertavam em torno da garganta de seu
lobo gigante. Fantasma retorcia-se e mordia, esperneando no
ar, mas não conseguia se libertar.
Jon não teve tempo de sentir medo. Atirou-se para a frente,
gritando, pondo todo seu peso na espada. O aço cortou a
manga, a pele e o osso, mas o som estava de certo modo
errado. O cheiro que o envolveu era tão estranho e frio que
quase vomitou. Viu o braço e a mão no chão, com dedos
negros retorcendo-se num charco de luar. Fantasma libertou-
se da outra mão e afastou-se rastejando, com a língua
vermelha pendendo da boca.
O homem encapuzado ergueu a pálida cara de lua e Jon
golpeou-a sem hesitar. A espada cortou o intruso até o osso,
arrancando-lhe metade do nariz e abrindo um rasgão de um
lado a outro da face, sob aqueles olhos... olhos... olhos como
estrelas azuis ardendo. Jon conhecia aquele rosto. Othor,
pensou, cambaleando para trás. Deuses, ele está morto, ele
está morto, eu o vi morto.
Sentiu qualquer coisa vasculhando seu tornozelo. Dedos
negros agarraram-se à barriga de sua perna. O braço
rastejava pela perna acima, rasgando a lã e a carne. Gritando
de repugnância, Jon empurrou os dedos com a ponta da
espada e atirou aquela coisa para longe, que lá ficou
retorcendo-se, com os dedos abrindo e fechando.
O cadáver inclinou-se para a frente. Não havia sangue. Só
com um braço, com a cara quase cortada ao meio, não parecia
sentir nada. Jon estendeu a espada à sua frente,
— Fique onde está! - ordenou, com a voz tornando-se
estridente. "Grão", gritou o corvo, "grão, grão", O braço
cortado arrastava-se para fora da manga arrancada, uma
serpente branca com uma cabeça negra de cinco dedos.
Fantasma precipitou-se sobre ela e a abocanhou. Ossos de
dedos foram triturados. Jon golpeou o pescoço do cadáver,
sentindo o aço morder profunda e duramente.
Othor morto caiu sobre ele, fazendo-o perder o equilíbrio.
Jon ficou sem ar quando as costas atingiram a mesa caída. A
espada, onde ela estava? Perdera a maldita espada! Quando
abriu a boca para gritar, a criatura enfiou os cadavéricos
dedos negros nela. Nauseado, tentou afastá-lo, mas o morto
era pesado demais. A mão forçou-se mais para dentro de sua
garganta, fria como gelo, sufocando-o. Tinha a cara encostada
à sua, enchendo o mundo. Os olhos estavam cobertos de
geada, cintilando de azul. Jon arranhou sua pele fria com as
unhas e deu pontapés na